quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Frio!


E o frio conseguiu entrar. Bateu, bateu e pronto.

Definitivamente não dá! Hoje fui tomar um café e por pouco não consegui, tamanha tremedeira. Não, não estou brincando. Tentei enrolar um cigarro e haja dificuldade.

Creio que agora vai ser assim: adeus baladinhas noturnas. Além disso, existe o fato de eu ser a magreza em pessoa, e isso significa muito quando o assunto é temperatura. Se não significa, meu psicológico se encarrega de fazê-lo.

Às vezes tô no meu quarto, com tudo fechado, debaixo de cobertas - três, diga-se de passagem -, e vou fumar. Quando acabo, continuo soltando fumaças. Até perceber que a fumaça não era mais do cigarro e sim aquela da respiração quando o tempo tá muito gelado (isso tem nome específico?), achava que tava me tornando uma chaminé. Pensei em parar de fumar. Mas já passou, e agora gosto de ficar fazendo fumacinhas noturnas no quarto.

Agora entendo o motivo de nos países mais frios o índice de suicídio ser maior. Claro! É depressivo, causa irritação e quase dor. Você fica dentro de casa pensando na vida e fazer isso não costuma ser bom. Poderia até fazer alguma coisa útil, mas quem diz que vale a pena sair debaixo das cobertas? Quem é o anormal que não prefere ficar com o aquecedor na sua frente?

Eu já tomei a decisão de só sair de casa pra ir pra aula e trabalhar. Pretendo cumprir. Gostaria que as baladinhas viessem até mim. E se não fosse muita exigência, que a Universidade e o trampo também.

Hoje falei com meu pai por telefone, que me disse não estar suportando o calor Uberlandense. Há! eu logo pensei numa piscininha, num botequim com cerveja gelada, num sambinha e principalmente numa bermuda e sandália. Calças jeans não combinam comigo, touca faz minha cabeça coçar e tênis e cuturnos não me apetecem. Ah, que saudade de andar de chinelo (sem meia) depois das seis da tarde. De me enxugar depois do banho com o chuveiro desligado - se enxugar dentro do box com o chuveiro ligado permite o não congelamento - e sair do banheiro só de toalha.

Acho que tô exagerando. A tendência é só piorar. Ainda faz calor em relação ao que viverei a partir do prósimo mês. E o pior, faltam cinco dias para o prósimo mês. Escrevi 'próximo' com 's' pra ver se você estava prestando atenção. Estava? Se sim, no primeiro achou que eu havia me enganado, no segundo decepcionou-se com tamanho erro, eu sei.

Posso usar como desculpa o frio pra me embebedar de vinho todos os dias. Mas não gosto de vinho. Mas gosto de ficar bêbado. Bebê-lo-ei, pronto! Melhor, bebê-loS-ei.

Se eu tivesse um amor provavelmente me identificaria mais com esse momento. Mas individualista como sou não aguentaria por muito tempo ficar grudado com outro ser humano.

Mas existe um lado positivo em tudo isso: com as mil roupas que coloco fico pesando cinco (ou doze, depende do dia) quilos a mais, e deixo de ser essa girafa ambulante que se apresenta como ser humano.

É isso. Por hoje é só.

Espero que meus dedos não tenham congelado até a próxima vez que eu resolver vir aqui escrever.




Essa foto é de quando chegamos, galera toda que veio de fora estudar em Évora. O local é a Universidade. Pra você que me procura, eu sou o indivíduo sentado do lado direito, em baixo, de azul claro, numa época em que era possível andar sem casacos. A tarde. Repare.


quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Retrospectiva


E depois de tanto tempo, volto a escrever, provavelmente pouco, já que não tenho tido muita paciência pra isso (nem sendo extremamente necessário pra mim, a pessoa mais complicada que tive - e tenho, diga-se de passagem - a obrigação de conviver).
Há exatos dois meses e seis dias, moro em Évora, região do Alentejo em Portugal.
Isso significa que durante todos esses dias tenho vivido loucuras, falta delas, conhecido novas pessoas, lugares, culturas, hábitos (mas hábitos não fazem parte da cultura?), enfim, vida nova, do estilo aquela que pedimos em toda virada de ano. A questão é saber viver a novidade.
Creio que tenho sabido fazê-lo, mas como sempre, nem sempre.
A bipolaridade permanece por aqui, e isso se faz necessário.
A angústia me acompanha, mas como diz meu amigo Daniel, isso não é mais novidade.
O novo me impressiona, mas deixa de sê-lo à medida em que o tempo passa.
Não, não estou infeliz ou insatisfeito. Na verdade minha mãe diria que a insatisfação faz parte da vida do ser humano. A infelicidade é, nesse momento específico, uma questão de escolha. Obviamente, não a minha.
Fiz amigos. E posso dizer que dos bons. Moro com enlouquecidos de natureza. Me encontrei.
Me sinto bem com os brasileiros que aqui vivem. Era esperado. Tornamos-nos uma família.
A saudade de casa é a grande companheira. Da minha mãe, em especial. (Quem diria, rapaz!)
Novos conhecimentos, em áreas próximas, mas que não deixam de ser distantes.
Habituado com as concepções teóricas da História Ocidental, aqui tenho a possibilidade de conhecer a teoria unida à prática da Arqueologia que chega até o Oriente. Grato estou por isso.
Pré-História, Arqueologia das Sociedades Proto-Históricas e História do Médio Oriente Antigo são as discipinas que faço.
Se me perguntam qual a importância disso para minha vida ou meu trabalho, caio na questão do conhecimento. Conhecer. É o que procuro.
Procuro também crescer, desenvolver, aprender com a diferença entre os diferentes e também entre os que se assemelham.
Pretendo compreender a idéia de respeito que às vezes coloco em questão sem estar certo do que digo.
O mais interessante é que eu não imaginava que a saudade doía tanto. Não para alguém como eu, conhecido pela insensibilidade que possui.
Espero voltar por aqui nos próximos dias. Que a preguiça e o desânimo não caiam mais uma vez sobre mim.

Essa foto é da cidade de Évora, mais especificamente de uma das vistas da Praça do Giraldo. Local de referência. Facilita deslocamentos e poupa tempo, já que aqui perde-se (ou perdia-se) fácil.